Como dividir as contas com colegas de casa sem brigar
Numa casa compartilhada, quase ninguém discute pelo aluguel, que está escrito no contrato. Discute-se pelos 340 euros de compras, luz e internet que alguém adiantou no mês passado.
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O aluguel é o maior valor e o menos discutido: está no contrato, sai no mesmo dia todo mês, cada um sabe o seu número. Todo o resto, que representa cerca de um terço do que uma casa compartilhada custa de fato, não fica registrado em lugar nenhum.
É aí que a coisa desanda. Não é uma questão de valores, é uma questão de neblina: ninguém sabe exatamente como está a situação, então todo mundo sente que pagou um pouco mais do que devia. Os dois sentimentos são sinceros, e os dois não podem estar certos ao mesmo tempo.
Decida a regra uma vez, antes de se mudar
Não existe uma resposta universalmente correta. Existe uma resposta que você escolhe antes de qualquer pessoa se mudar e depois para de renegociar.
| Regra | Boa para | Onde falha |
|---|---|---|
| Partes iguais | Internet, seguro, produtos de limpeza | Injusta quando os quartos são muito diferentes |
| Pelo tamanho do quarto | Aluguel, aquecimento | Exige medir, e ignora luz natural e área externa |
| Pelo uso | Compras, refeições em conjunto | Significa contar, ou seja, manter um registro |
| Pela renda | Raro entre colegas de casa, comum entre casais | Todo mundo precisa dizer quanto ganha |
A combinação que funciona melhor na prática: aluguel pelo tamanho do quarto, todo o resto em partes iguais, compras pelo uso. É clara, dá para justificar numa frase, e não exige arbitragem mensal.
As três armadilhas que quebram as contas de uma casa compartilhada
A conta conjunta. A ideia parece boa: cada um deposita 200 euros no dia 1º, e tudo é pago dali. Na prática, alguém precisa abri-la em seu nome, ser responsável por ela, cobrar quem está atrasado e prestar contas. No dia em que alguém se muda, ela precisa ser encerrada. Uma conta conjunta não elimina o controle, só o transfere para uma única pessoa.
Compensar de cabeça. "Eu pago as compras, você cobre a luz." Isso funciona enquanto os valores parecem semelhantes. Três meses depois, as compras somam 480 euros e a luz 210 euros, e as duas pessoas estão sinceramente convencidas de que estão quites.
Deixar para depois. Um acerto feito uma vez por trimestre é um acerto que você não vai fazer: significa desenterrar recibos de dez semanas atrás e reconstruir quem estava em casa no fim de semana em que você fez compras para doze pessoas. A regra é simples: registre a despesa ao sair da loja, na calçada, não no domingo à noite.
O que se registra, e o que não se registra
Registrar tudo mata uma casa compartilhada. Um rolo de papel toalha de 1,80 euro não merece uma linha, e o colega que registra isso faz o clima da casa pagar o preço.
Combinem juntos um limite: abaixo de 10 ou 15 euros, quem pagou, pagou, e ninguém conta. Acima disso, registra-se. Isso elimina 80% das linhas e 100% da mesquinhez.
Itens que sempre merecem ser registrados:
- compras compartilhadas, quando ultrapassam o limite;
- as contas: luz, gás, água quando medida separadamente, internet, seguro;
- compras duráveis: a cafeteira, o aspirador, as prateleiras da cozinha. Anote também quem fica com o item quando essa pessoa se muda, o que poupa vocês da conversa mais chata de todo o contrato;
- reembolsos, caso contrário o saldo nunca se ajusta e alguém acaba pagando duas vezes.
Os momentos que realmente doem
Alguém se muda no meio do ano. Acertem as contas antes de essa pessoa devolver as chaves, não depois: uma vez que ela já saiu, a motivação para pagar 74 euros desaparece. O momento certo é a entrega das chaves, assim como a vistoria. E o depósito caução é outro assunto, devolvido pelo locador ao fim do contrato: não misture isso com o controle interno.
Alguém para de pagar. Não deixe isso se arrastar. Uma diferença de 60 euros se resolve; uma de 400 euros vira conflito. Um controle compartilhado que todos podem ver geralmente resolve isso sozinho, porque a pessoa em débito vê o próprio número ao mesmo tempo que os outros e não precisa ser avisada.
Namorados que dormem em casa. Alguém recebe o parceiro quatro noites por semana: a luz e a água sobem, e dividir em três partes deixa de fazer sentido. Falem sobre isso logo no início, resolvam com um valor mensal fixo, e saibam que isso nunca se resolve bem depois de seis meses sem ser mencionado.
Planilha ou aplicativo?
Uma planilha compartilhada resolve, com três condições: todo mundo consegue abri-la, todo mundo a mantém atualizada, e ela não pertence a quem a criou. Na realidade, é uma pessoa que a preenche, que vira a contadora da casa e se cansa disso em dois meses.
Um aplicativo dedicado resolve o problema real, que não é a conta em si, mas registrar as coisas no momento certo: anotar uma despesa ao sair do supermercado, com uma mão ocupada, em dez segundos.
É aí que entra o Kotisso. Você cria um grupo para a casa, cada um registra o que adiantou, e o saldo de cada pessoa se atualiza para todos os outros. Três coisas importam especialmente numa casa compartilhada:
- despesas recorrentes: aluguel, internet e seguro são cadastrados uma vez e voltam sozinhos todo mês. É isso que evita esquecer os maiores valores;
- divisão despesa por despesa: aluguel pelo tamanho do quarto, internet em partes iguais, uma compra que só diz respeito a duas das quatro pessoas. É só desmarcar, e os saldos se ajustam;
- o plano de acerto: no final, o Kotisso propõe o caminho mais curto para zerar tudo, na pior das hipóteses uma transferência a menos do que o número de colegas de casa.
Todo o controle é gratuito, sem precisar conectar conta bancária nenhuma, o que importa quando você divide a casa, mas não os extratos.
Perguntas frequentes
Todo mundo precisa ter uma conta? É melhor, porque assim cada pessoa vê o próprio saldo sem precisar perguntar. Mas uma pessoa pode registrar tudo e compartilhar o controle exportado, o que ainda é mais honesto do que uma planilha privada, porque o documento mostra o que contém.
Como lidar com um quarto que tem um aquecedor extra? Ou partes iguais com um acréscimo combinado para aquele quarto, ou divisão pela área. O que importa não é a precisão física, que é inatingível, mas que a regra seja aceita antes do inverno, não durante ele.
E a pessoa que nunca está em casa? O aluguel e as contas fixas continuam sendo dela: ela está pagando pela disponibilidade, não pelo uso. Compras e refeições em conjunto são outra questão, e é exatamente para isso que serve a divisão "pelo uso".
Quando devemos acertar as contas? Mensalmente, numa data fixa, de preferência logo após o pagamento. Um saldo que se arrasta por três meses é um saldo que ninguém quer olhar.